segunda-feira, 21 de maio de 2012

Entre Gregos e Europeus?


Há muito se cogita uma eventual saída da Grécia da Zona do Euro. Em princípio, vimos os esforços das autoridades e instituições da União Europeia em buscar soluções para o problema apresentado. Aos poucos se tornava claro que os esforços pretendiam ganhar tempo para "descontaminar" o sistema bancário e eliminar mecanismos de contágio que pudessem ser reconhecidos e desconstruídos. O peso imposto à população Grega esgarçou seu tecido político fazendo aparecer fragilidades, novos partidos e novas lideranças.
Mas, não apenas a Grécia viu seu tecido político alterado. Foram várias as lideranças que pagaram com seus cargos pelo peso do ajuste e mais recentemente vimos alterar a parceria Merkel - Sarkozy na condução dos rumos políticos e de política econômica na União Europeia. Enquanto cidadãos respiravam aliviados, o mercado reagiu com força, derrubando bolsas e através de fuga de capitais.

Ao longo de todo este tempo, dei entrevistas afirmando que a Grécia não sairia da Zona do Euro. Sua saída representa uma auto exclusão da União Europeia a pedido da Grécia. Contabilizei entre as perdas as futuras dificuldades nas parcerias comerciais dentro e fora do bloco. Atualmente 79,1% das exportações da Grécia se destinam à Europa (fonte: Euromonitor). As tarifas comuns representam para a Grécia um enorme mercado para os seus produtos. Alem disso, contaram para efeito de meu exercício futurista a manutenção de uma dívida em Euros e o acesso a financiamentos da União Europeia. Acreditei que as notícias de uma possível saída da Grécia se relacionavam mais fortemente com oportunidades especulativas do que com o fato em si.

Na visita que realizamos no início do ano à Europa, ouvimos depoimentos que reforçaram minha crença na manutenção da Grécia na Zona do Euro. Em que pese declarações contundentes sobre o ônus do pagamento do elevado endividamento Grego, grande parte das declarações afirmava a esperança de um calote grego sem a saída da Grécia da comunidade europeia.

Contudo, o vácuo político decorrente das impopulares medidas de ajuste mostrou que mesmo corretas medidas de ajuste econômico enfrentam limites políticos. Diante da impossibilidade de construção de um consenso e um governo de coalizão, novas eleições são esperadas para junho deste ano. Mais do que isso, as eleições convocadas estão sendo percebidas como um referendum à saída ou permanência da Grécia. Assim, como nem sempre a racionalidade econômica determina os rumos e as escolhas sociais e políticas, penso que posso estar deixando escapar elementos importantes na definição do rumo da Grécia. Parece-me claro que há um profundo descontentamento em relação às medidas impostas e muita mágoa e ressentimento associados a estas. No entanto, o retorno à antiga moeda - o dracma- evoca memórias de inflação que a grande maioria dos Gregos rejeita. Há, portanto, uma dor transformadora na sociedade grega que pode levá-los a solicitar sua exclusão da Zona do Euro se os Gregos apostarem que uma solicitação ao Conselho Europeu restauraria sua participação na União Europeia e a manutenção dos acordos comerciais.

Vejo hoje, portanto, uma pequena, diminuta possibilidade de saída da Grécia da Zona do Euro.

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

Retrospectiva

Ano novo, presidente novo.
Chegando ao final deste ano de 2011, começo a fazer uma retrospectiva analisando alguns dos principais indicadores de desempenho da economia. Olhando os dados do PIB trimestral dessazonalizado podemos notar que o PIB total recuperou o ritmo de expansão de 2008 notadamente em função da Agricultura e de Serviços. Aparentemente, temos como estratégia a produção e exportação de produtos da agricultura brasileira que aos consumidores de notícias parece ser competitiva. Contudo, um olhar atento mostra fragilidades associadas a este setor enquanto cadeia produtiva. Primeiro, a questão logística que dissolve a competitividade do setor produtivo. Os custos de distribuição da produção constituem importante elemento de custo e de estratégia competitiva. Portanto, a ausência de meios de escoamento da produção - sejam eles por rodovias, estradas férreas ou vias fluviais ou maritmas - , o elevado custo de pedágios, a baixa qualidade do combustível brasileiro , o elevado custo e a ineficiência portuária, os gargalos aéreos, representam elemento de preocupação. A agricultura para a exportação oscila fortemente em relação ao ritmo de expansão da economia mundial. O passo lento dos ajustes europeus, sinaliza para uma desaceleração no ritmo de crescimento da economia Chinesa. Dois grandes destinos das exportações brasileiras de produtos primários. Portanto, apesar de em 2011, termos conseguido manter o ritmo de expansão das atividades agropecuárias, a ausência de estratégia, de investimentos no setor e a desaceleração no ritmo de crescimento de grandes parceiros comerciais sugerem que em 2012 o setor não tenha o mesmo desempenho. A tendência de queda nos preços internacionais combinada com a queda no volume das exportações indicam uma diminuição de desempenho que pode, mas não é provável, ser compensada por desvalorizações cambiais.
Como resultado das ações de política econômica, o aquecimento da economia doméstica explica o desempenho do setor de serviços. Puxado pela demanda apresentou um crescimento praticamente linear. Com resultados desejáveis de empregabilidade, explica em grande parte a atual taxa de desemprego, o crescimento dos salários reais e a elevação de preços medida pelo IPCA. Também aqui notamos a ausência de estratégia. Os gargalos na oferta de mão de obra qualificada não foram removidos apesar do aumento na oferta de vagas em Universidades Federais, a criação do PROUNI, a unificação do processo seletivo com o ENEM e mudanças nas regras do FIES. Aparentemente, erramos no diagnóstico acreditando que a escassez de oferta de mão de obra qualificada se devia principalmente aos elevados custos de educação superior.
Quanto à indústria, nota-se o fraco desempenho - principalmente quando comparamos com o desempenho do setor de serviços e agricultura - e a dificuldade em retomar a trajetória anterior a 2008. Os debates se concentram sobre a desindustrialização e a difícil escolha entre desvalorização e inflação ou controle inflacionário e desindustrialização. Parece que quando olhamos esse obstáculo, tiramos o olho de nossos objetivos. Com uma política tributária , no mínimo, equivocada, juros elevados, custos elevados na contratação da mão de obra e com baixa poupança doméstica combinada com a ausência de uma política industrial estruturada, a indústria brasileira sofre os resultados da competição com importados mais baratos. As ações recentes da Presidencia da República parecem dificultar politicamente a construção de uma agenda propositiva que culminasse em reformas importantes para recuperar a competitividade da indústrial local. Mais frágil diante de grupos de pressão, parece que pautam as questões nacionais as articulações em detrimento de regras.

domingo, 23 de outubro de 2011

China


Bem, enquanto o ajuste tem que ser solicitado à Grécia ou o default é Argentino, sentimos alguns abalos. Apenas isso. Mas, a crise atual parece estar atingindo a China. Percebam que não chamei de crise européia. Afinal, não se trata mesmo de uma crise local.

O fato é que a Europa é um dos maiores destinos das exportações chinesas e, em agosto/2011, o superávit comercial Chinês caiu 43,6%! (em relação ao mês anterior)

Em parte esse resultado se deve à apreciação real do Yuan causada pela inflação de 6,2%, acima da meta definida de 4,0% pelo Banco do Povo (o Banco Central Chinês). O aumento dos preços domésticos tornou as importações relativamente mais baratas. Além disso, a queda nos preços das commodities resultante da desaceleração econômica mundial contribuiu para o aumento nas importações.

A inflação também eleva custos de produção e causa uma diminuição nas margens de lucro. Na China, as margens já são reduzidas. Os ganhos estão associados à escala e não à margem. Desta forma, a pressão de preços contribui para uma desaceleração da atividade produtiva Chinesa.

Mas, olhando o balanço de pagamentos, podemos verificar que o superávit só não foi menor por que houve um aumento das exportações chinesas para a Europa e para países Asiáticos. Isso aumenta a importância da Europa sobre o desempenho Chinês. Além disso, apenas parcialmente é claro, as exportações chineses observadas neste período estão associadas à um período de sazonalidade de festas natalinas.

O que importa notar é que uma crise na Europa com redução das importações da China pode levar a uma desaceleração maior no ritmo de crescimento do dragão asiático. Trabalhamos com a perspectiva de uma queda no ritmo de crescimento Chinês mas de 10 para 8%. Os dados atuais nos permitem rever este número e prever uma queda ainda maior na taxa de crescimento Chinesa.

Uma desaceleração no crescimento Chinês torna o cenário para 2012 bastante diferente e nos faz lembrar das previsões dos Maias.... Portanto, a implementação de medidas de estímulo para a Economia Americana em lugar de discussões sobre medidas de austeridade e, a implementação de soluções para as Economias Européias serão decisivas no sentido de evitar pensar que os Maias fizeram previsões ma corretas utilizando a astrologia....

Vamos observar o resultado de hoje da reunião da cúpula da União Européia!




segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Lições do endividamento latino americano nos anos 80

Lembro como se fosse hoje do drama, do desemprego crescente combinado com inflação elevada, as reformas políticas, a desesperança associada ao elevado endividamento externo da Economia Brasileira. À época, discutíamos o tamanho do Estado, a necessidade de reformas, os acordos com o FMI e impunhamos ajustes recessivos com a finalidade de honrar compromissos externos. Em um piscar de olhos, nos voltamos contra o projeto de industrialização substitutivo de importações e abraçamos, dando boas vindas, as reformas de mercado. Hoje, olho para trás sem saudades. E, de tudo que passamos e fizemos, extraio apenas aquilo que acho que devem ser lições para o presente:
1. Não deveríamos jogar o bebê com a água do banho. Um projeto nacional de industrialização e fomento à atividade produtiva devem e são bem vindos quando seguem uma realidade de mercado e atendem a interesses coletivos (não lobbistas);
2. O mercado possui forças poderosas que devemos respeitar e usar a nosso favor. Excessos fiscais criam riscos e custos desnecessários. Criar regras para o Estado e suas Instituições criam caminhos sólidos na direção do crescimento;
3. Em tempos normais, manter o controle fiscal e monetário permitem agir discricionariamente em períodos de crise;
4. Que medidas de austeridade são necessárias para reestabelecer o equilíbrio;
5. Que apenas medidas de austeridade são insuficientes e devem ser acompanhadas de medidas de estímulo sempre que possível (como o acordo Brady para a dívida externa);
6. Que a contabilidade criativa é superada sempre pelos fundamentos macroeconômicos.

sábado, 24 de setembro de 2011

Um pouco de história sobre moedas : lições do bimetalismo

Costumo, para simplificar, iniciar a explicação sobre moeda metálica e representativa afirmando que o ouro era o metal mais utilizado por seu valor. Contudo, seu valor elevado fazia com que mesmo uma moeda muito pequena pudesse ser trocada por imensa quantidade de mercadoria. Desta forma, durante anos as sociedades e países se organizaram utilizando moedas cunhadas em prata. Estas possuíam a vantagem de ser de menor valor e podiam ser trocadas por moedas de ouro na proporção aproximada de 15,5 onças de prata por 1 onça de ouro. Mas, cada país Europeu, por exemplo, cunhava suas moedas com quantidades e purezas diferentes de prata. Além disso, mudanças na oferta dos metais alterava seu valor estimulando a arbitragem entre mercados. Imagine que essa mudança significasse poder trocar 1 onça de ouro por 16,5 onças de prata (um aumento no valor do ouro provocado por sua escassez relativa) em um país X enquanto no país Y prevalecesse a troca de 15,5 onças de prata por uma de ouro. Mesmo considerando custos de transporte, haveria estímulos para realizar a troca de 15,5 onças de prata por onças de ouro no país Y e levar o ouro para o país X e trocar por mais prata. Desta forma, a saída de prata do país Y elevaria seu valor, enquanto a entrada de prata no país X reduziria seu valor.


Diferentes relações de cunhagem estimulavam movimentos de arbitragem. Para Eichengreen, “ em vista da dificuldade de operacionalizar o padrão bimetálico, sua persistência na segunda metade do século XIX causa perplexidade”. Mas fatores técnicos como a ausência de máquinas a vapor que impediam a cunhagem de uma moeda padronizada e representativa e fatores políticos associado ao interesse dos mineiros que exerciam pressões pela continuidade do uso da moeda de prata além da facilidade de manter um padrão monetário comum que facilitava empréstimos externos, explicam por que durante muito tempo o padrão bimetálico foi mantido. Nas palavras do mesmo autor, “ as desvantagens do sistema vigente tinham de ser acentuadas antes que houvesse um incentivo para abandoná-lo”. E, ainda, “foram necessários abalos que estilhaçassem a solidariedade do bloco de países praticantes do bimetalismo para que aquele incentivo deixasse de prevalecer”.

Em 1865 uma Conferência Internacional reunia os países afetados formando a União Monetária Latina (pasmem, por Latinos entenda-se Bélgica, França, Itália e Suíça com posterior adesão da Grécia) e padronizando a cunhagem de suas moedas evitando os movimentos de arbitragem. Vários encontros se seguiram buscando soluções conjuntas e resultaram no que conhecemos como Padrão Ouro. Interessante sobre o momento anterior é notar que a Grã-Bretanha, mesmo convidada a participar da adoção de um padrão comum de cunhagem não aceitou reproduzindo o mesmo comportamento ao ser convidada a participar da zona do Euro. Ainda, a Alemanha desempenhava já àquela época papel decisivo.

Que lições podemos tirar deste momento da história? Um que padrões monetários não são eternos, dois que poderosos interesses dificultam a transição, três que dificuldades técnicas também representam empecilhos consideráveis, quatro que é necessário coordenar a transição e acomodar interesses em Conferências como a de 1865 ou a de Bretton Woods e que hoje podem constituir a pauta do G20, quinto que somente o tempo, o aprofundamendo da crise, e as crescentes desvantagens associadas a um padrão monetário movimentam os atores econômicos a buscar soluções.

No caso do Euro, penso que a deterioração das condições políticas na Grécia resultantes do alto custo do ajuste imposto à população faz crescer o estimulo a uma saída da Grécia da zona do Euro.

Por outro lado, penso que o atual padrão monetário internacional (que utiliza como moeda de troca o dólar americano, como reserva para transferências entre gerações os títulos americanos, como referência para cálculo de juros e remunerações de diferentes títulos privados e públicos as taxas de juros praticadas pelo Fed, e um sistema de taxas flutuantes com ausência de coordenação nas políticas monetárias nacionais) apesar das dificuldades já constatadas, precisará de um aprofundamento das desvantagens existentes para gerar estímulos para a criação de um novo arranjo monetário, parodiando Eichengreen.


Recomendo a leitura de Barry Eichengreen, A Globalização do Capital - Uma História do Sistema Monetário Internacional, Editora 34.

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

Nova zona do Euro?

Após muitas tentativas paliativas para conter a crise atual se aproxima o momento de enfrentamento definitivo da situação em que se encontram os países da Zona do Euro.


Vejo dois caminhos possíveis. O primeiro é a efetiva integração das nações européias constituindo uma federação com emissão conjunta de Eurobônus barateando o custo do financiamento para países com elevado grau de endividamento. O segundo percebe a iminência da saída da Grécia, seguida possivelmente por outros países da zona do Euro.

Dificilmente Alemanha concordará com a primeira opção por razões simples. A elevação do custo de financiamento equivale a um aumento tributário reduzindo o poder aquisitivo dos cidadãos deste país em troca de ganhos dúbios. A presença de países como Grécia, Portugal, Irlanda, Espanha e Itália enfraquecem o Euro tanto quanto o fortalecem. Explico. A possibilidade de uso da moeda Euro em diversas nações, a comum aceitação entre elas, fortalece a moeda. No entanto, a fragilidade financeira e produtiva destes países tem contribuído fortemente para um enfraquecimento do Euro. A Alemanha permanece competitiva com bons resultados no Balanço de Pagamentos, controle de preços e emprego. Portanto, os ganhos da manutenção da atual configuração da Zona do Euro são pequenos.

A segunda opção, embora não resolva o problema para os PIIGS, ameniza os custos do ajuste e são politicamente mais palatáveis para as economias endividadas. Sair da zona do Euro permite o uso de instrumentos monetários e cambiais no sentido de aumentar a competitividade e recuperar exportações, atividade produtiva e emprego. Uma desvalorização cambial da moeda local permite os resultados acima, mas encarece os custos em moeda local de pagamento da dívida contraída em Euro. Mas, as perspectivas de recuperação da capacidade de exportar indicam a possibilidade de manutenção do nível de atividade e de arrecadação diminuindo expectativas de default para países como Portugal, Espanha, Irlanda e Itália. Não incluo a Grécia, pois entendo que nem mesmo a possibilidade de forte desvalorização monetária permitirá o pagamento da dívida. A Grécia caminha a passos rápidos para um default.

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

Yakissoba

Vou colocar em sequência fatos históricos com a intenção de "forçar" uma relação entre eles:
Perda de dinamismo da economia americana; desvalorização do dólar; reação do Banco Central Japonês; Crise no Japão; reação do Banco Central Alemão; Fortalecimento da Comunidade Européia; Criação de uma moeda única para o que chamamos Zona do Euro; Uso de uma moeda nacional como moeda de reserva; Crescente Necessidade de Financiamento do Balanço de Pagamentos Americano; Crescente Necessidade de Financiamento das Contas do Governo Americano; Financeirização; Crise Asiática, Crise no México, Crise Russa, Crise Brasileira, Crise Argentina, Crise do Subprime; Políticas Fiscais e Monetárias Expansionistas; Exposição e Contágio Bancário; Mecanismos de transmissão monetário/financeiro sobre a economia real; Maior risco, maior a taxa de juros; Portanto, mais caro o financiamento do consumo e da atividade produtiva; Maior risco, maior o racionamento de crédito; Portanto, mais difícil a obtençao de financiamento mesmo aceitando taxas mais elevadas; Opções ou alternativas de financiamento através da emissão de debentures ou açoes acompanham o aumento das taxas de juros, tornando cara e difícil a alternativa; Depreciaçao ou queda nos preços das garantias também dificultam o acesso ao mercado de crédito; Restrições ao uso de Políticas Nacionais Monetárias e Fiscais dadas pelo endividamento.
Resultado? Quanta dívida a China pode comprar com suas reservas internacionais? Qual o impacto de um resgate ou uma mudança na composiçao das reservas Chinesas de títulos da dívida americana para títulos da dívida Italiana, Portuguesa, Irlandesa, etc.? Qual o impacto de um default da Grécia?
Pois bem, essa é a receita do Yakissoba Business!