sábado, 29 de novembro de 2014

Considerações sobre o PIB - resultado anunciado do terceiro trimestre de 2014

O nível de atividade respondeu aos estímulos concedidos pelo Governo, relacionado aos déficits primários praticados a partir de junho deste ano. Mas, considerando que o déficit primário compromete a evolução da dívida pública e os custos a ela associado, pagamos caro para um resultado desprezível. A economia dá sinais claros de que esgotamos em certa medida as possibilidades de crescimento associados às políticas fiscais e monetárias expansionistas. Os dados relacionados aos investimentos produtivos (formação bruta de capital fixo ou FBCF), apontam para uma retração no nível de atividade para os próximos trimestres e, como o volume de investimentos determina nossa capacidade produtiva, esse dado é especialmente preocupante. Preocupa também o desempenho anual da atividade produtiva industrial. Temos que repensar com urgência nossa estratégia de crescimento. Ela não pode se sustentar nos frágeis alicerces da despesa do governo. Sobretudo por que ela é financiada em última instância com recursos do cidadão contribuinte. Precisamos de um pacto produtivo.

Entendendo a Nota do IBGE

"O Produto Interno Bruto (PIB) apresentou variação positiva de 0,1% na comparação do terceiro trimestre de 2014 contra o segundo trimestre do ano, levando-se em consideração a série com ajuste sazonal. "

Isso significa que houve uma reação muito, muito pequena aos estímulos concedidos pelo Governo para recuperar o nível de atividade. Essa discreta variação nos tira da recessão técnica. Mas, não nos permite ficar otimistas.

"Na comparação com igual período de 2013, houve variação negativa do PIB (-0,2%)."
A variação negativa sugere que a trajetória econômica é de retração do nível de atividade. Aqui estamos comparando os mesmos períodos do ano e, portanto, não consideramos efeitos sazonais como festas de Natal. Portanto, apesar da resposta aos estímulos governamentais, o nível de atividade no mesmo período do ano anterior era maior. 

"No acumulado dos quatro trimestres terminados no terceiro trimestre de 2014, o PIB registrou crescimento de 0,7% em relação aos quatro trimestres imediatamente anteriores."
Quanto olhamos a trajetória da variação dos valores acumulados, buscamos identificar uma tendência. Neste caso, a variação positiva mostra que tiramos do acumulado um trimestre muito pior do que aquele que adicionamos. Portanto, indica uma perspectiva mais otimista do que o dado anterior.

"Já no resultado acumulado do ano até o mês de setembro, o PIB apresentou variação positiva de 0,2% em relação a igual período de 2013."

Aqui estamos comparando os resultados conhecidos deste ano com os resultados de igual período do ano anterior. Neste caso verificamos um discreto crescimento

sexta-feira, 23 de maio de 2014

Porque um reajuste de Preço de 19% na empresa em que eu trabalho resulta em apenas 10% de aumento no meu salário?

Ontem ouvi em entrevista na TV Globo um trabalhador questionar o reajuste de salário que obteve. Ele entendeu injusto o reajuste e explicava por que estava em greve. Ele misturava uma luta política com a prefeitura de São Paulo com a luta política de trabalhadores com empregados. Ele misturava o aumento praticado nas tarifas com o reajuste de seu salário. Bem, o trabalhador ignora o fato de que os custos do empregador não se resumem à folha de pagamentos. Um exemplo simples pode ser dado. Imagine que os gastos do Proprietário da Empresa sejam com folha de pagamentos dos funcionários e combustível. Imagine que ele gaste metade com combustíveis e metade com a folha de pagamentos. Não há gastos de tributos ou outras despesas. Se os combustíveis aumentaram 30% e a folha 10%, por média simples (soma e divide por dois) os custos da empresa aumentaram 20%. Neste caso simples os aumentos nos custos da empresa mal são compensados com o reajuste das tarifas.
Não estou afirmando que foi este o caso. Mas, estou lembrando que há outros custos que podem justificar a diferença entre o reajuste de preço e o reajuste salarial. Exemplos são o custo de reposição de novos ônibus, muitos deles depredados em sinal de protesto, a aquisição ou expansão da frota de veículos, as tarifas cobradas por Governos, etc.
Um reajuste de 10% de salário quando a previsão de inflação para o ano de 2014 é de 6,43% (Relatório Focus do Banco Central em 16 de maio de 2014) significa um ganho real de 3,5% aproximadamente. Se não há aumento de produtividade do setor, esse ganho real dos trabalhadores do setor representa uma perda real para o conjunto da sociedade.

segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

Consumo das famílias cresceu?????????????

Tenho ouvido muito falar no erro estratégico de impulsionar o crescimento econômico estimulando a demanda interna, no crescimento do consumo das famílias, no crescimento do crédito, nas bolsas concedidas pelo governo.
No último sábado, em uma reunião de um Grupo de Discussão que ajudo a coordenar, um economista presente afirmou que o consumo das famílias era 59% do PIB em 2004 e passou a ser 66% do PIB em 2012: um crescimento admirável de 7 pontos percentuais!
Fiquei tão entusiasmada com a informação que fui conferir. No site www.ipeadata.gov.br podemos encontrar o percentual do consumo das famílias em relação ao PIB já calculado. Claro que vou ainda verificar possíveis diferenças de cálculo (se foi calculado a valores correntes ou constantes, por exemplo). Mas, o que podemos observar é que a participação do consumo das famílias em relação ao PIB é bem menor em 2012 quando comparada com 1999. Não sou do PSDB....também não sou do PT....não tenho um partido político que eu sinta que me represente. Portanto, não estou aqui fazendo a defesa de um governo ou de outro....apenas olhando dados em fonte de informação oficial.....

o Gráfico acima foi elaborado com os dados obtidos no site www.ipeadata.gov.br . Nele podemos ver o crescimento do consumo das famílias após o plano Real, seu ponto alto em 1999, uma dramática redução até 2004 e uma recuperação tropega após esta data. O interessante é que o nivel em 2012 é próximo do nível em 1995.
Não vou fazer interpretações neste momento. O gráfico é apenas uma provocação.... O que teria reduzido a participação do consumo em 1999? A desvalorização? A inflação? Controle do crédito? Desemprego? Juros altos? Para pensar........

sábado, 28 de dezembro de 2013

O custo da falta de planejamento

Me dá um certo nervoso verificar como o Estado Brasileiro age pontualmente. A ausência de planejamento e de projeto se faz marcar por ações isoladas e descontextualizadas. Desta forma, o conjunto da população não vê sentido nestas ações e sente-se roubada alimentando rancores e ampliando distâncias sociais e políticas.
Meu desconforto está relacionado com a opção por faixas de ônibus sem quaisquer esforços de comunicação com a comunidade paulistana para que esta compreenda o sentido desta ação, com o aumento do IPTU em um momento em que a base de arrecadação do município está aumentando (pois aumenta a participação do setor de serviços no PIB) e com o aumento do IOF para cartões de débito no exterior entre outras.
Vamos ponto a ponto. Mas, antes de mais nada, devo dizer que não há partido político que me represente!
A ideia de criar faixas de ônibus é apropriada do ponto de vista econômico. Não temos recursos para a compra de mais ônibus (na verdade não desejamos tirar recursos de outras ações públicas para adquirir novos veículos de uso coletivo) e cada ônibus faz poucas viagens por dia em função do trânsito. Assim, as linhas exclusivas permitem que os ônibus trafeguem rapidamente e um mesmo veículo pode fazer mais viagens ao longo do dia. Há ganhos também se pensarmos em ambulâncias. Estas podem, ao usar as faixas de ônibus, transitar mais rapidamente salvando vidas. Claro está que há um custo nesta escolha: os carros vão andar mais lentamente (para não dizer que vamos ficar parados muito tempo no trânsito)!  A ideia é melhorar o ônibus e piorar o carro de forma e induzir a população a refazer suas escolhas. Escolha refeita significa deixar de comprar o carro ou deixá-lo na garagem para usar ônibus. Parece bastante razoável, não? Mas, a vida em cidade não pode ser resumida a escolhas econômicas (sim, eu estou falando isso...). Não usar a imprensa ( e não venham me dizer que a imprensa é vendida! Afinal, a conta do governo para agências de publicidade e mídia é bastante significativo e quando há REAL intenção do governo em propagandear-se isso ocorre) para esclarecer a população e ouvi-la impede o governo de corrigir erros na implementação da ideia. Penso nos locais onde a faixa exclusiva não faz sentido como a Marginal. Eu mesma não compreendo o sentido daquela faixa exclusiva.
O aumento do IPTU também foi uma escolha. Escolha no sentido de que poderíamos optar por melhorar a eficiência na arrecadação e no gasto! Não fiz o estudo, mas desconfio que a receita de ISS não cresceu na mesma velocidade em que se expandiu o setor de serviços na cidade de São Paulo. Um esforço maior de arrecadação e de gasto antes de um aumento no IPTU seria muito agradável. Para piorar o aumento do IPTU está relacionado aos preços elevados dos imoveis. Bem, algumas pessoas residem nestes imóveis há anos! Ter patrimônio não é o mesmo que ter renda. O aumento do imposto expulsa estas pessoas de suas moradias. O ideal seria aplicar um imposto maior no momento da venda do imóvel. Mas, uma ação desta inibiria o mercado imobiliário impedindo que alguns comprem imóveis mais caros e venda os mais baratos para aqueles que iniciam suas vidas.
E agora o aumento do IOF para cartão de débito. Bem, ao carregar dólares no cartão de débito compramos a moeda estrangeira pelo câmbio turismo que já é mais caro que o cambio comercial que é utilizado no cartão de crédito. Desta forma, não havia diferença significativa entre o cartão de débito e o de crédito. A diferença residia no risco de variação cambial, em prejuízo para o cartão de crédito. Como houve um aumento no uso do cartão de débito, o que é natural pois estava se popularizando, o governo entendeu que não estava conseguindo inibir as compras no exterior e que havia uma válvula de escape. Bem, como o custo em moeda nacional era praticamente o mesmo usando cartão de débito ou de crédito (sem variação cambial) o argumento não se sustenta! Olharam o urubu e atiraram na andorinha! Os gastos no exterior se explicam pela ENORME DIFERENÇA DE PREÇOS E QUALIDADE!!!!!!!!!!!! Reduza o imposto de importação, aumente a competição e os preços locais ficam mais próximos dos preços internacionais estimulando gastos no país. Afinal, aqui temos a possibilidade de parcelamento da compra que não encontramos no exterior. Mas, enquanto um X-Box novo custar no Brasil o equivalente a uma viagem a Miami com a compra do X-Box, vamos viajar para comprar!!!!!!! Qual a dúvida?
Bem, ações como estas mostram que não há planejamento tributário apenas emergências de gasto pré eleição. Isso não é nem de perto o que podemos chamar de Estado Desenvolvimentista. É Estado Oportunista!

quinta-feira, 26 de dezembro de 2013

Viajando de Carro?


O Michelin oferece um aplicativo para o Ipad que calcula rotas com opções de rotas mais rápidas, sugeridas, curtas, econômicas ou de descoberta. Ao calcular, o aplicativo informa o tempo da viagem, o custo aproximado com combustível e as despesas de pedágio! Você pode programar melhor seus gastos e seu tempo! O aplicativo calcula rotas no Brasil e no exterior.

segunda-feira, 16 de dezembro de 2013

PERSPECTIVAS - I

Não há como pensar em perspectivas para a economia brasileira em 2014 sem olharmos o cenário externo. De meu ponto de vista, há cinco questões relevantes em se tratando da economia mundial:


  1. Comportamento da Economia Americana
  2. Continuidade da política monetária do FED: Teria o mercado já precificado este evento?
  3. Desempenho da Economia Européia
  4. Continuidade do crescimento Chinês
  5. Nova matriz energética - xisto: Impacto significativo?


Há opiniões divergentes acerca da recuperação americana. Alguns analistas, e entre estes um premio Nobel, não acreditam na reação e melhora de desempenho dos EUA. Para os mais pessimistas, a queda no desemprego se deve ao fato de que as pessoas pararam de procurar postos de trabalho. Nos EUA há mais de um indicador de desemprego, como no Brasil. Um dos indicadores chamado U6 indica queda consistente no desemprego. Mas, os dados de emprego não apontam um aumento. De onde se conclui que a recuperação americana pode ser um evento por vir.
De qualquer forma, no ano de 2014 haverá uma mudança na condução do FED. Não sabemos se a troca de presidente implicará em mudança na condução da política monetária. Mas, ao longo de 2013 observamos a agitação do mercado frente a esta possibilidade. Essa agitação resultou em mudanças significativas, mas, não sabemos e não temos como saber se o mercado já precificou uma possível alteração dos juros norte americanos.
A Europa constitui ainda fonte significativa de preocupação. Parceira comercial importante para o Brasil, a União Européia parece não ter superado a crise ou criado mecanismos para enfrentá-la. Paquidérmica, se move lentamente enfrentando suas diferenças na busca persistente da construção de uma união de fato. Mas, percebemos o quanto há para se fazer. A responsabilidade de fiscalizar bancos e garantir seu funcionamento adequado ou mesmo cobrir prejuízos em casos necessários é a discussão do momento. Não há indicadores que possam sugerir a superação da crise e, portanto, a estagnação nos parece ser a melhor aposta.
Quanto à China, sua pujança parece assegurada, muito embora a velocidade de seu crescimento tenha diminuído. Há forte possibilidade de especulação sobre o futuro da economia chinesa. A desconfiança decorrente da dificuldade de obtenção de informação confiável será fonte de incerteza e alimentará expectativas. Mas, os dados e informações sobre o desempenho Chinês nos permitem afirmar que a China permanecerá crescendo a um ritmo menor, mas relevante. 

sábado, 7 de dezembro de 2013

Doe o seu imposto de renda!


Passo a passo: Acesse o site abaixo. Em entidade digite o nome Santa Fé, Derdic, Graac ou outro que você deseje ajudar. Escolha o projeto da Entidade para conhece-lo. Clique em efetuar a doação e siga as instruções para gerar o boleto ou fazer a transferência bancária. Guarde o recibo!!!! Você deverá indicar a doação na elaboração do Imposto de Renda e será deduzida do valor a pagar de imposto. No ano que vem, ao fazer sua declaração, você também poderá doar parte do imposto. Mas, apenas 3% dele será abatido! A doação durante o ano de 2013 permite a dedução de 6% do valor do imposto a pagar! Portanto, se você costuma pagar $1.000,00 no ajuste anual da declaração de I.R, você poderá doar R$6,00 e abater o valor integralmente do imposto! Qualquer dúvida, comente e eu responderei!

È possível fazer doações de até 6% do Imposto de Renda para várias Entidades como o Graac, a Derdic, a Santa Fé. Para isso, acesse o site : http://fumcad.prefeitura.sp.gov.br/forms/principal.aspx



fumcad.prefeitura.sp.gov.br

O Fundo Municipal da Criança e do Adolescente (FUMCAD) tem como objetivo financi...ar projetos que garantam os direitos da criança e do adolescente. Foi criado pelo Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) Lei 8069/90 no seu artigo 260 alterado pela Lei 12.594/2012 no seu artigo 87 e é vinculado deli...Ver mais